domingo, 14 de abril de 2013

Azeviche

Revoada de pequenos pássaros cor de azeviche
que pousam furtivos na relva e se esvão

como seus olhos
que fisgam o obtuso profundo dos meus
depois vão...


Noite em seu silêncio
tão livre orquestra de grilos
quase um lamento

Do livro Mácula, 2011


Sem razão quero você
qual vento aos rodamoinhos
como às vezes sem por que
meus olhos piscam sozinhos.


sobre a calmaria
no lago desenham círculos
chuva declarada

terça-feira, 1 de março de 2011

Ampulheta

(Clique sobre a imagem para ampliá-la)

"Matamos o tempo, mas o tempo nos enterra"
Machado de Assis

domingo, 28 de novembro de 2010

Genealogia

" — O major, hoje, parece que tem uma idéia, um pensamento muito forte.
— Tenho filho, não de hoje, mas de há muito tempo.
— É bom pensar, sonhar consola.
— Consola, talvez; mas faz-nos também diferentes dos outros, cava abismos entre os homens..."
Lima Barreto


Tal um vaga-lume
Andarilho lunar
Perdido no breu

Eu não saí aos meus

Num mar de negrume
Só, vim naufragar
No amargo apogeu

Súplice do adeus

Átomo sem nume
Triste a vagar
Pelo coliseu

Dos abismos seus...


Lidiane Santana, do livro M Á C U L A
Clube dos autores 2011


Clima/tempo



Céu de azul inimitável:

- nenhuma nuvem, nenhum raio

Lá fora o dia está tão calmo...

Cá dentro não!

Cá dentro é mar bravio,

é torrente de cólera,

é mal sem solução...


domingo, 11 de julho de 2010

Trova



Sol a pino, sexta-feira
dita os instantes finais:
chafurdando na poeira
alegres, só os dois pardais



Lidiane Santana



Outro artista moribundo
pinta uma tela bucólica:
A dor é o plano de fundo
e o Amor, simples retórica.

Lidiane Santana


Moléstia




Não lembro de nada.

Quando não estava chorando,
estava secando minhas lágrimas.

A luz de fora me irritava

Não via a rua
nem a gente que passava...


Lidiane Santana

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Roseira brava


Não me cultive em jardins
à mercê do teu paisagismo
para colher depois com fastio
que não sou flor de arranjo.

Nem quero a proteção da estufa
se não posso ser quem sou.

Padeço o vento, a chuva, o calor
mas mantenho minha postura

Roseira brava nascida do solo rude,
solta entre o mato corrido
não despetala a qualquer rumor

Tampouco, enfeita seu centro de mesa.

Lidiane Santana

sábado, 21 de novembro de 2009

Femme fatale






























“Quando a menina vira mulher, os homens viram meninos
Anúncio de lingerie

A beleza que repousa
dentro de um casulo ainda
Um esboço de mulher
Sob contornos de menina

Já faz de si uma boneca!
Vestida num justo corpete
de silhueta empinada
desfila toda coquete

No breve rubor da face
sobre a pele acetinada
ela oculta a esperteza
e a malícia articulada

Se pudesse desnudar
anáguas de um pensamento
que não deslizam ao chão
nem esvoaçam no vento

Todo homem saberia
que aquela doce menina
é a mesma femme fatale
que o atormentará um dia.

Lidiane Santana

Julgamento


Não se culpa o amante
Não se culpa o objeto amado
Tampouco, se culpa o mal-amado
No Amor não há culpados...
...há vítimas.

Lidiane Santana

-
Poema publicado na antologia poética “Novos Velhos Rumos da Poesia”que contém poemas de alguns membros do grupo literário Taba de Corumbê do qual faço parte.

No dia 29/06/09 o
Jornal do Grande ABC publicou uma matéria sobre as publicações literárias em Mauá. E este poema foi citado.



Quê



Gosto de você porque gosto;
Gosto de você não sei por que - e isso me causa espanto!-
é que você tem um quê
de não sei que
que me atrai e que me agrada tanto.


Lidiane Santana

Domingo

















São pássaros de papel
no azul dessa tarde nua
soltando pipas ao léu
moleques da minha rua

Lidiane Santana

Ervas daninhas

Só removemos as ervas daninhas
quando o jardim está perdido.
E no canteiro sem flores fica a terra vazia.
É a nossa preguiça moral de cada dia...


Lidiane Santana